BE1744
Compartilhe:
Georreferenciamento suscita polêmica em Londrina
Cúpula do Incra rebate críticas mas não redefine prazos
Por ocasião do segundo dia do GeoLondrina, (6/5), após manifestação de dirigentes e assessores da CNA – Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, representantes do Incra proferiram palestra emitindo a posição do órgão governamental sobre o Georreferenciamento, em face da Carta de Araraquara, proposta pelo Irib no ano passado.
Imagem
A alta cúpula do Incra mostrou-se aberta para discutir soluções sobre o tema, embora não se tenha posicionado oficialmente quanto à extensão dos prazos. Marcos Alexandre Kowarick, diretor de Programas e coordenador de Ordenamento Territorial do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, sugeriu parcerias com cooperativas, sindicatos e governos de estados para melhor aplicabilidade da lei do georreferenciamento. Ele declarou: “Ficou clara a necessidade do cadastro, o encontro afirmou isso em alto e bom som. E nós caminhamos para a melhoria e aperfeiçoamento, tanto do marco legal como também do conhecimento da tecnologia que envolve isso – que afinal barateie os custos. E pelo público que aqui participou, desde topógrafos, engenheiros, firmas, setor público, setor privado, cartórios, apontaram-se vários consensos, vários caminhos comuns”. Kowarick acenou com a possibilidade de o governo dar um prazo maior para a operacionalização da lei de georreferenciamento, afirmando “Existe, do ponto de vista técnico, a possibilidade de ampliar o prazo para esse extrato que está vencendo. Agora, essa é uma decisão política, que envolve a direção do INCRA, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Ministro Miguel Rosseto, e a Casa Civil. Portanto, extrapola a nossa órbita aqui, no momento”.
Irib “o grande parceiro do governo”
O Diretor Marcos Kowarick referiu-se à realização de uma oficina de trabalho enfocando aspectos tecnológicos do geoprocessamento, envolvendo a regularização fundiária, o registro, preços praticados no Brasil etc. O encontro pretende ainda tratar de questões normativas que podem ser disparadas pelo próprio INCRA. “A oficina é de automação dos processos de Regularização Fundiária e a previsão da realização dessa oficina será em julho. Nós convidamos o IRIB para ser o grande parceiro disso, pois vai ser uma revolução para os cartórios”.
Confira, a seguir, entrevista exclusiva concedida para o BE no GeoLondrina, por Marcos Alexandre Kowarick do Incra.
ENTREVISTA COM MARCOS ALEXANDRE KOWARICK – Diretor de Programas e coordenador de Ordenamento Territorial do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
BE -Fale sobre os principais questionamentos lançados hoje no GeoLondrina.
MAK - São vários pontos, em que houve contribuições para a melhoria e adequação da lei. Alguns, pela forma como estão sendo colocados, se adotados, anulam a lei. Então, nessa discussão que nós tivemos aqui, há um amplo espectro de posições: posições que querem colaborar para a construção e melhoria, aprimoramento da lei e a sua implantação, defendendo o mérito, a importância e o avanço da legislação para o Brasil, do ponto de vista econômico e social; E uma outra posição mais refratária, ou seja, um lado achando que tem tanto problema, que no final, a melhor forma seria não cumprir a lei, jogar pras calendas ... Trinta, quarenta, cinqüenta anos... o que anula uma lei! Uma lei que pode ser cumprida daqui a cinqüenta anos, não é lei! Então, eu acho que, entre esses dois campos, a discussão foi muito profissional, muito técnica. Ficou clara a necessidade do cadastro, o encontro afirmou isso em alto e bom som. E nós caminhamos para a melhoria e aperfeiçoamento, tanto do marco legal como também do conhecimento da tecnologia que envolve isso – que barateie os custos.
BE -Houve consensos e divergências tópicas....
MAK - E pelo público que aqui participou, desde topógrafos, engenheiros, firmas, setor público, setor privado, cartórios, apontou vários consensos, vários caminhos comuns. O interessante é que as diferenças referem-se a questões menores, de quem quer melhorar o sistema. Então, isso aponta para que, em um período curto, antes de esgotar o prazo da lei, nós tenhamos propostas de adequação, de melhoria da performance da lei. Porque nós estamos tratando de entidades que antes não tinham esse relacionamento – entidades públicas e privadas – e um relacionamento com o púbico. Nós queremos melhorar o serviço ao público e construir um sistema de cadastro nacional georreferenciado. Essa determinação nós não abrimos mão, essa determinação é do governo federal. Vamos acatando, respeitando, desenvolvendo e aprimorando todos os marcos, aplicando a lei e melhorando as suas normas - o que puder por decreto -, para que o objeto da lei seja atingido, para que seja realmente atingido o que o legislador buscou e defendeu. Então, acho que é muito positivo e a questão dos prazos é um problema técnico e político, porque esse processo tem que se manter tencionado no sentido de construir e não de relaxar – essa é a nossa opinião.
BE -E com relação aos prazos, o que tem a nos dizer?
MAK - Aquilo que realmente for prejudicar em termos do espaço e do tempo visível, deverá ser alterado. E essa é uma conclusão política do INCRA e do MDA, e submetida essa apreciação à Casa Civil. É esse o processo que vem ocorrendo nesses dois meses agora. E por isso, a contribuição que o IRIB deu, na criação desse fórum foi muito grande, foi enriquecedor, saíram sugestões muito ponderadas, muito construtivas e acho que é dessa forma que nós vamos poder fazer essa parceria grande para construir um cadastro no país, viabilizar esse desenvolvimento do cadastro.
BE -Que sugestões o senhor considera possíveis de ser viabilizadas?
MAK - Tirando ainda uma apreciação sobre o tempo, todas as outras nós aprovamos do ponto de vista do mérito, o mérito está correto. Agora é uma questão de se fazer um ajuste: um termo, uma palavra, como é o processo que se dá no cartório, etc. No conjunto nós concordamos, inclusive a questão polêmica de parcela, o IRIB teve a sensibilidade de manter uma conversa mais jurídica, da implicação dela em toda legislação agrária, é uma coisa complexa. Na verdade, a parcela é uma diferenciação das áreas dentro de um imóvel rural. Isso aí o cadastro quer, precisa ter e é importante, nós queremos chegar o mais próximo possível da realidade do imóvel; não só para questão pública mas, para a própria política de crédito, às políticas da região, para tudo. Para as próprias categorias, associações de sindicatos, associações de produtores e cooperativas, para eles é fundamental isso, tanto é que eles estão nesse jogo.
Imagem
BE -O Sr. não pode adiante nada quanto ao prazo do Georreferenciamento?
MAK - A questão do prazo não tem como colocar aqui, o prazo vai ser definido.
BE -Vai continuar sendo até outubro ou vai ser estendido?
MAK - Existe, do ponto de vista técnico, colocação da possibilidade de ampliar o prazo para esse extrato que está vencendo. Agora, essa é uma decisão política, que envolve a direção do INCRA, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Ministro Miguel Rosseto, e a Casa Civil. Portanto, extrapola a nossa órbita aqui, no momento. Então, foi por isso que nós não dissemos nada sobre o prazo, porque nós não temos autoridade para isso.
BE -Fale sobre o convite que o senhor propôs sobre uma oficina? O que vem a ser?
MAK - É uma oficina em que nós vamos tratar sobre os aspectos tecnológicos do processamento todo, da regularização, do geoprocessamento, os preços praticados no Brasil; é uma oficina envolvendo todos os setores da iniciativa privada, para que a gente chegue num bom patamar de debate técnico e imediatamente vendo tudo aquilo que pode ser apropriado de uma forma coletiva no país, vamos tratar das questões normativas que a gente já pode mudar no INCRA. A oficina é de automação dos processos de Regularização Fundiária e a previsão da realização dessa oficina será em julho. Nós convidamos o IRIB para ser o grande parceiro disso, pois vai ser uma revolução para os cartórios. Convidamos também a CNA, o Contag e o setor privado, as empresas que trabalham com isso hoje. Tem vários profissionais liberais que trabalham com isso, que têm tecnologia desenvolvida e a gente não sabe. Então, é um momento de muita troca, por isso eu chamo de Oficina, porque nós queremos saber tudo o que existe e é possível de melhorar, desde a saída do cartório até a devolução para o cartório. Quer dizer, o que pode ser feito para encurtar esse espaço, melhorar a integração, em um sistema on-line.
Confira também:
• GeoLondrina “esquentou” no segundo dia Dirigentes da CNA questionam Incra
• Georreferenciamento de imóveis rurais Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal
• Georreferenciamento em debate Lamana Paiva desafia a platéia
• Certificação de imóveis georreferenciados Incra suspende prazos em Mato Grosso
• Abertura do GeoLondrina repercute credibilidade do Irib Cerca de 200 participantes lotam auditório do Teatro Crystal Palace
• Reserva legal e o registro de imóveis Exigência da averbação no estado do Paraná: o provimento 60/2005 Francisco José Rezende dos Santos
Últimos boletins
-
BE 5801 - 04/04/2025
Confira nesta edição:
IRIB, ONR e RIB formalizam planejamento estratégico conjunto | PMCMV amplia faixa para atender famílias com renda de até R$ 12 mil | Cartórios já realizaram mais de 17 milhões de apostilamentos | DF sanciona lei de loteamento de acesso controlado | Clipping | Webinar: “Execução Extrajudicial AFG x Hipoteca e a Execução Extrajudicial em Concurso de Credores” | Seminário: “La Estadística Registral: información de calidad para el sector público” | XVIII Congresso Notarial e Registral do Estado do Pará | Da associação de moradores em loteamentos fechados e a perpetuidade associativa – por Henrique de Vasconcelos Lucas | Jurisprudência do TJGO | IRIB Responde.
-
BE 5800 - 03/04/2025
Confira nesta edição:
Presidente do IRIB participa de reunião no ONR | STJ afasta responsabilidade de garantidor hipotecário que permutou o imóvel dado em garantia | CRA do Senado Federal aprova PL que altera o cálculo do ITR | Biblioteca: Para além da COP 30: Tópicos sobre desenvolvimento na Amazônia em tempos de emergência climática – obra integra Série Desenvolvimento e Sustentabilidade, iniciativa editorial da PPGDSTU/NAEA | Seminário: “La Estadística Registral: información de calidad para el sector público” | XVIII Congresso Notarial e Registral do Estado do Pará | A reforma tributária e os cartórios: Segurança jurídica ou risco de retrocesso? – por Gabriel de Sousa Pires | Jurisprudência do TJMG | IRIB Responde.
-
BE 5799 - 02/04/2025
Confira nesta edição:
Infographya é a nova assessoria de comunicação do IRIB | Portaria SPU/MGI n. 2.495, de 1º de abril de 2025 | Prêmio Solo Seguro: inscrições são prorrogadas até o final de maio | “É Rápido, É Fácil, É no Cartório” torna-se campanha nacional | TJMA divulga resultado de classificação final preliminar do Concurso Público para Cartórios | Prêmio Solo Seguro: inscrições são prorrogadas até o final de maio | Seminário: “La Estadística Registral: información de calidad para el sector público” | XVIII Congresso Notarial e Registral do Estado do Pará | Reforma Tributária 16: A Tributação sobre Imóveis – por Rosa Freitas | Jurisprudência do TJRS | IRIB Responde.
Ver todas as edições
Notícias por categorias
- Georreferenciamento
- Regularização fundiária
- Registro eletrônico
- Alienação fiduciária
- Legislação e Provimento
- Artigos
- Imóveis rurais e urbanos
- Imóveis públicos
- Geral
- Eventos
- Concursos
- Condomínio e Loteamento
- Jurisprudência
- INCRA
- Usucapião Extrajudicial
- SIGEF
- Institucional
- IRIB Responde
- Biblioteca
- Cursos
- IRIB Memória
- Jurisprudência Comentada
- Jurisprudência Selecionada
- IRIB em Vídeo
- Teses e Dissertações
- Opinião
- FAQ - Tecnologia e Registro
Últimas Notícias
- Parcelamento do Solo Urbano. Loteamento – alteração. Procedimento registral.
- Usucapião. Imóvel em massa falida. Inalienabilidade. Usucapião – impossibilidade.
- Da associação de moradores em loteamentos fechados e a perpetuidade associativa